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domingo, 10 de junho de 2012

A sessão de sábado, 16 de junho, do Café com Cinema exibe o longa chileno Machuca, de Andrés Wood



A votação do filme a ser exibido na sessão de sábado, 16 de junho, do projeto cultural Café com Cinema, que acontece a partir das 18:30 no auditório da PotyLivros (Praia Shopping), em Natal, terminou à meia- noite de domingo, 10. Os(as) interessados(as) manifestaram suas preferências entre oito opções disponíveis de filmes latino-americanos de temáticas sociopoliticamente relevantes e o mais votado - com 6 indicações - foi Machuca, de Andrés Wood (Chile, 2004). O longa-metragem chileno será, portanto, a obra exibida na próxima sessão do Café com Cinema.

Dos outros filmes propostos, o uruguaio O banheiro do Papa (El baño del Papa) de César Charlone e Enrique Fernández (2007) ficou em segundo lugar, com 4 votos (dois no Facebook, um no blog O Condor Errante e um por e-mail); enquanto o argentino A história oficial (La historia oficial), de Luís Puenzo (1985), e o peruano Madeinusa, de Claudia Llosa (2005), receberam 3 preferências cada um. Todos os demais não receberam nenhum voto. As três obras que receberam indicações serão apresentadas em novas votações para as próximas sessões do projeto cultural.

Cartaz de Machuca, de Andrés Wood

Machuca se passa em 1973, quando o Chile vivia uma situação social e política conturbada, em pleno governo de Salvador Allende, entre manifestações em defesa do seu governo e do socialismo democrático e ações desestabilizadoras organizadas pela direita nacionalista que quer retomar ao poder. Gonzalo é um garoto de classe médio-alta que estuda no Colégio Saint Patrick, o mais conceituado da capital do país. O padre McEnroe, diretor do colégio nomeado pelo governo Allende, aplica uma política que permite o ingresso na instituição de alunos pobres. Um deles é Pedro Machuca. A partir de uma briga na escola, surge uma amizade entre os dois garotos. As aproximações e distanciamentos que ocorrem a partir da diferença de classe dos meninos representam a chave da trama.

Lhe aguardamos na sessão do Café com Cinema de sábado, 16 de junho. Após a exibição do filme, será realizado um diálogo entre tod@s @s participantes com base nas provocações e pistas de reflexão despertadas pela obra e, no final do encontro, será realizado o sorteio de um livro. Para reservar seu lugar, totalmente gratuito, escreva para cafecomcinemanatal@gmail.com e, desde já, seja muito bem-vind@!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Sábado, 26 de novembro, acontecerá o terceiro encontro do Café com Cinema com a exibição de Dersu Uzala, de Akira Kurosawa

No sábado, 26 de novembro, acontecerá a partir das 18:30 no Auditório da PotyLivros do Praia Shopping, em Natal, o terceiro encontro do projeto cultural CAFÉ COM CINEMA, idealizado e coordenado pelo pesquisador, educador e promotor cultural independente Antonino Condorelli.

A proposta do Café com Cinema é promover o encontro entre pessoas para partilhar emoções e reflexões a partir de obras-primas da Sétima Arte. Os encontros propiciam diálogos livres e abertos a todos sobre as mais diversas temáticas a partir de filmes de autor, exibidos antes de cada discussão, estimulando a troca de experiências, idéias, sensações e intuições. Todos os encontros têm entrada franca e dão direito a café expresso gratuito e ao sorteio de um livro, cortesias da PotyLivros que é co-promotora da iniciativa.

No encontro de sábado, 26 de novembro, que é também o último deste ano, será exibido o longa-metragem russo-japonês Dersu Uzala (1975), dirigido por Akira Kurosawa.

A obra, um clássico da história do cinema que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1976 e o Prêmio David di Donatello da Academia Italiana de Cinema na categoria de melhor diretor de filme estrangeiro em 1977, é unanimemente considerado pela crítica e o público um dos mais belos longas-metragens jamais realizados. Baseado no homônimo livro autobiográfico do escritor e explorador russo Vladimir Arseniev, publicado em 1923 e desde então traduzido para diversos idiomas, o filme conta a história de uma grande amizade nascida entre as planícies e montanhas de uma remota região siberiana do extremo Leste da Rússia asiática no começo do século XX. Entre 1902 e 1907, Arseniev percorreu a taiga da região siberiana da bacia do Rio Uçuri em três expedições cartográficas que tiveram como guia o caçador nômade de etnia gold Dersu Uzala, que conheceu casualmente na floresta durante a primeira dessas missões. A convivência entre eles e as aventuras que passaram juntos acabaram mudando profundamente a ambos, mas especialmente a Arseniev, que abriu seus horizontes e aprendeu novas possibilidades de ver o mundo e de interagir com a natureza.

Após a exibição do filme, será aberta uma discussão livre a partir das sugestões de reflexão despertadas pela obra nos presentes.

A partir do dia 23 de novembro estarão disponíveis no balcão da PotyLivros fichas de reserva que garantirão uma cadeira no encontro de sábado, dia 26. Serão disponibilizadas 40 fichas, o número máximo de cadeiras que cabem no auditório. As reservas serão válidas somente até as 18:30 do dia do encontro. Havendo desistências ou atrasos de parte de quem reservou, as vagas serão transferidas imediatamente a quem estiver sem ficha e tiver chegado na hora.

Contamos com a participação de tod@s vocês para partilharmos juntos mais emocionantes momentos de livre pensar, arte e partilha.

Desde já, sejam bem-vind@s!


Clique aqui e assista uma seleção de cenas de Dersu Uzala, embaladas pela célebre e belíssima trilha sonora do filme conhecida como “O Som da Águia”.

Mais informações e contatos: cafecomcinemanatal@gmail.com

sábado, 5 de novembro de 2011

Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera - Reflexões sobre o filme exibido no segundo encontro do Café com Cinema

Por Antonino Condorelli (condor_76@hotmail.com) - Idealizador e coordenador do Café com Cinema e dos Diálogos Criativos

Como prometi ao público que participou do segundo encontro do projeto cultural Café com Cinema, que idealizei e coordeno na PotyLivros em Natal, compartilho algumas reflexões – despretensiosas e desordenadas, seguindo o fluxo das minhas sensações - sobre o filme que foi exibido nessa ocasião: Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom, 2003), do diretor sul-coreano Kim Ki-duk.

A esplêndida fotografia do longa-metragem e os amplos planos panorâmicos do lago e da floresta ao seu redor em diversos momentos do ano com as respectivas transformações da paisagem, que varia com o clima, me deram a impressão de querer despertar uma atenção mais refinada, uma visão absorta que silencie o mais possível os ruídos internos e, como em uma sessão de meditação, permita que as imagens, sons e acontecimentos que se sucedem na tela penetrem num espectador com a mente aquietada e, portanto, receptiva, predisposta à reconstruir suas percepções e representações.

Algumas imagens, a meu ver, funcionam como autênticos koans visuais, com o propósito de desarticular a percepção linear, lógica e disjuntiva do real que predomina no nosso dia a dia de homens e mulheres ocidentais urbanos e abrir caminho a outras possibilidades de experiência do mundo. Uma delas é, em minha percepção, a da porta sem paredes que separa o quarto de dormir do resto do templo construído no meio de um lago onde o mestre budista e seu jovem discípulo, os protagonistas da narrativa, vivem. A imagem da não-porta é um exercício vivo de sensibilidade que golpeia visualmente o espectador, instigando-o a redefinir sua visão compacta, fechada e estilhaçada da realidade. Parece sussurrar-nos no ouvido: será que as paredes que erguemos entre nós e o mundo não são tão sólidas como tendemos a percebê-las?

Mais evocativa ainda é, aos meus olhos, a imagem da porta que se ergue no vazio, à beira do lago, que desde a primeira cena do filme me sacudiu levando-me a repensar os meus conceitos de “dentro” e de “fora”, assim como a minha percepção de ser humano e natureza. As paredes que compartimentam a realidade, que a estilhaçam em pedaços - parecem perguntar estas imagens - serão reais ou apenas uma das possíveis maneiras em que a mente humana percebe o mundo? Esses belos koans imagéticos sugerem outras possibilidades de experienciarmos o real.

O longa é também uma riquíssima mina de reflexões sobre a condição humana. O jovem discípulo, na primavera da sua infância, por viver desde a mais tenra idade em estreita “proximidade” com o ambiente não-urbano e não-humano que o rodeia revela uma completa familiaridade com as demais espécies vivas (peixes, sapos, serpentes...), que não tem medo de pegar nas mãos, experienciando com elas um contato epidérmico, contrariamente à moça de origem urbana que mais tarde chegará ao templo, que sente repulsão por outras espécies como transparece em uma cena em que, brincando, o rapaz coloca um grilo no ombro dela. Mas, simultaneamente, o jovem faz aflorar sentimentos típicos do humano, como o desejo de infligir sofrimento pelo puro prazer de fazê-lo, que o leva a torturar pequenos animais e mostra o “eu” se estruturando na percepção do menino que começa a perceber-se como independente daqueles seres e capaz de manipulá-los pelo seu próprio deleite, sendo incapaz, portanto, de compreender ou sentir o sofrimento deles. É preciso que o mestre - ao estilo Zen, cujos ensinamentos são transmitidos essencialmente através da vivência – faça experienciar à criança o mesmo sofrimento que ela tinha infligido a um peixe, a um sapo e a uma serpente para que a percepção dela, desestruturada por esta experiência totalmente nova e inesperada, se reconfigure em direção à empatia com as espécies que tinha torturado, permitindo-lhe sentir sua dor e sofrer pelo que fez.

A pedra que o mestre coloca nas costas do menino, reproduzindo o que ele tinha feito com outras espécies, pode ser vivida – como foi observador de forma a meu ver muito pertinente durante a discussão do Café com Cinema - como uma poderosa metáfora das pedras que todos carregamos: nossos conceitos, nossos hábitos mentais e comportamentais, nossos desejos, nossas obsessões, nossos fantasmas, nossos medos, nossas neuroses, nossas representações... tudo o que, num fluxo contínuo e incessante, (re)produz o nosso “eu” prendendo-nos a determinados estilos de vida e formas de ver o mundo, naturalizando-os a impedindo-nos enxergar ou conceber outras possibilidades.

Se em breves momentos do filme, como na fase outonal da vida do discípulo, o diretor parece reproduzir a dicotomia conceitual entre homem e natureza presente na visão de mundo urbanizada contemporânea, como por exemplo nas palavras do mestre ao tomar conhecimento dos acontecimentos da vida urbana do ex-discípulo (“Não conhecia de antemão como é o mundo dos homens?”, como se este fosse distinto do mundo “natural”), ao longo do filme inteiro emerge uma percepção não dilacerada do mundo humano e o não-humano. À afirmação do mestre ao discípulo no verão da sua adolescência, ao saber da relação sexual que manteve com a moça que foi levada pela mãe ao templo para se curar, é significativa: “Aconteceu por si mesmo, é a natureza”. O mestre parece perceber o ser humano como parte integrante de um único processo de permanente reconstrução do real, que entende como “a natureza”. O afastamento do mundo urbano não implica numa separação perceptivo-conceitual entre a natureza e o homem, como as belíssimas metáforas das portas sem paredes sugerem, funcionando como um potentíssimo operador simbólicode reorganização do pensamento.

O desejo sexual, o apego que a reprodução deste desperta e todas suas possíveis conseqüências (“A luxúria desperta o desejo de possuir e isso desperta a intenção de matar”, diz o mestre ao jovem discípulo quando decide devolver a moça curada à cidade) são, nessa perspectiva, manifestações da mesma natureza que pode produzir tanto compaixão e empatia com todos os demais seres vivos, como apego, ciúme e violência.

Outro aspecto sobre o qual o longa me instigou a refletir é a ciclicidade da existência humana, que o filme metaforiza através das estações do ano e, ao fazê-lo, insere-a no caráter cíclico de tudo o que existe. Não visão taoísta que impregna a percepção do real de muitos povos asiáticos miscigenando-se com os ensinamentos budistas, a existência é simultaneamente cíclica e irrepetível. A pesar de determinados processos se repetirem a cada certo período, nunca emergem com uma idêntica configuração. Todos os anos aparece a primavera, mas nunca é a mesma primavera: esta primavera é única e diferente da de todos os anos passados e de todos os vindouros. Isto é, a reprodução não é antagônica à unicidade e o cíclico não é antagônico à mudança permanente: essas categorias, que a lógica identitária opõe, são na mentalidade oriental complementares. A ciclicidade da existência metaforizada pelo filme de Kim Ki-duk me parece revelar uma percepção do homem como apenas mais um fenômeno que participa do incessante (re)surgimento, sempre diferente mesmo na repetição de padrões, da natureza.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sábado, 5 de novembro, segundo encontro do Café com Cinema com a exibição de Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera

No próximo sábado, 5 de novembro, acontecerá a partir das 18:30 no Auditório da PotyLivros do Praia Shopping, em Natal, o segundo encontro do projeto cultural CAFÉ COM CINEMA, idealizado e coordenado pelo pesquisador, educador e promotor cultural independente Antonino Condorelli.

A proposta do Café com Cinema é promover o encontro entre pessoas para partilhar emoções e reflexões a partir de obras-primas da Sétima Arte. Os encontros propiciam diálogos livres e abertos a todos sobre as mais diversas temáticas a partir de filmes de autor, exibidos antes de cada discussão, estimulando a troca de experiências, idéias, sensações e intuições. Todos os encontros têm entrada franca e dão direito a café expresso gratuito e ao sorteio de um livro, cortesias da PotyLivros que é co-promotora da iniciativa.

No encontro de sábado, 5 de novembro, será exibido o longa-metragem sul-coreano Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom, 2003), dirigido por Kim Ki-duk.

Com uma esplêndida fotografia e uma linguagem profundamente poética, o filme é ambientado em um tempo flutuante no coração de um lago e conta a história de um jovem que vive sob os ensinamentos de um velho monge budista. Cada estação do ano representa um estágio da existência e do aprendizado do jovem, que após a chegada de uma garota pela qual se apaixona acaba de desviando dos conselhos do mestre.

Após a exibição do filme, será aberta uma discussão livre a partir das sugestões de reflexão despertadas pela obra nos presentes.

Devido ao estrondoso sucesso do primeiro encontro do Café com Cinema, em que o auditório da PotyLivros ficou pequeno diante da quantidade de pessoas que foram assistir a sessão, a partir do segundo encontro haverá um sistema de reservas de lugar. A partir do dia 3 de novembro estarão disponíveis no balcão da PotyLivros fichas de reserva que garantirão uma cadeira no encontro de sábado, dia 5. Serão disponibilizadas 40 fichas, o número máximo de cadeiras que cabem no auditório. As reservas serão válidas somente até as 18:30 do dia do encontro. Havendo desistências ou atrasos de parte de quem reservou, as vagas serão transferidas imediatamente a quem estiver sem ficha e tiver chegado na hora.

Contamos com a participação de tod@s vocês para partilharmos juntos mais emocionantes momentos de livre pensar, arte e partilha.

Desde já, sejam bem-vind@s!


Clique aqui e assista o trailer de Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera

Mais informações e contatos: cafecomcinemanatal@gmail.com