domingo, 10 de junho de 2012
A sessão de sábado, 16 de junho, do Café com Cinema exibe o longa chileno Machuca, de Andrés Wood
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Sábado, 26 de novembro, acontecerá o terceiro encontro do Café com Cinema com a exibição de Dersu Uzala, de Akira Kurosawa
No sábado, 26 de novembro, acontecerá a partir das 18:30 no Auditório da PotyLivros do Praia Shopping, em Natal, o terceiro encontro do projeto cultural CAFÉ COM CINEMA, idealizado e coordenado pelo pesquisador, educador e promotor cultural independente Antonino Condorelli.
A proposta do Café com Cinema é promover o encontro entre pessoas para partilhar emoções e reflexões a partir de obras-primas da Sétima Arte. Os encontros propiciam diálogos livres e abertos a todos sobre as mais diversas temáticas a partir de filmes de autor, exibidos antes de cada discussão, estimulando a troca de experiências, idéias, sensações e intuições. Todos os encontros têm entrada franca e dão direito a café expresso gratuito e ao sorteio de um livro, cortesias da PotyLivros que é co-promotora da iniciativa.
No encontro de sábado, 26 de novembro, que é também o último deste ano, será exibido o longa-metragem russo-japonês Dersu Uzala (1975), dirigido por Akira Kurosawa.
A obra, um clássico da história do cinema que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1976 e o Prêmio David di Donatello da Academia Italiana de Cinema na categoria de melhor diretor de filme estrangeiro em 1977, é unanimemente considerado pela crítica e o público um dos mais belos longas-metragens jamais realizados. Baseado no homônimo livro autobiográfico do escritor e explorador russo Vladimir Arseniev, publicado em 1923 e desde então traduzido para diversos idiomas, o filme conta a história de uma grande amizade nascida entre as planícies e montanhas de uma remota região siberiana do extremo Leste da Rússia asiática no começo do século XX. Entre 1902 e 1907, Arseniev percorreu a taiga da região siberiana da bacia do Rio Uçuri em três expedições cartográficas que tiveram como guia o caçador nômade de etnia gold Dersu Uzala, que conheceu casualmente na floresta durante a primeira dessas missões. A convivência entre eles e as aventuras que passaram juntos acabaram mudando profundamente a ambos, mas especialmente a Arseniev, que abriu seus horizontes e aprendeu novas possibilidades de ver o mundo e de interagir com a natureza.
Após a exibição do filme, será aberta uma discussão livre a partir das sugestões de reflexão despertadas pela obra nos presentes.
A partir do dia 23 de novembro estarão disponíveis no balcão da PotyLivros fichas de reserva que garantirão uma cadeira no encontro de sábado, dia 26. Serão disponibilizadas 40 fichas, o número máximo de cadeiras que cabem no auditório. As reservas serão válidas somente até as 18:30 do dia do encontro. Havendo desistências ou atrasos de parte de quem reservou, as vagas serão transferidas imediatamente a quem estiver sem ficha e tiver chegado na hora.
Contamos com a participação de tod@s vocês para partilharmos juntos mais emocionantes momentos de livre pensar, arte e partilha.
Desde já, sejam bem-vind@s!
Clique aqui e assista uma seleção de cenas de Dersu Uzala, embaladas pela célebre e belíssima trilha sonora do filme conhecida como “O Som da Águia”.
Mais informações e contatos: cafecomcinemanatal@gmail.com
sábado, 5 de novembro de 2011
Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera - Reflexões sobre o filme exibido no segundo encontro do Café com Cinema
Por Antonino Condorelli (condor_76@hotmail.com) - Idealizador e coordenador do Café com Cinema e dos Diálogos Criativos
Como prometi ao público que participou do segundo encontro do projeto cultural Café com Cinema, que idealizei e coordeno na PotyLivros em Natal, compartilho algumas reflexões – despretensiosas e desordenadas, seguindo o fluxo das minhas sensações - sobre o filme que foi exibido nessa ocasião: Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom, 2003), do diretor sul-coreano Kim Ki-duk.
A esplêndida fotografia do longa-metragem e os amplos planos panorâmicos do lago e da floresta ao seu redor em diversos momentos do ano com as respectivas transformações da paisagem, que varia com o clima, me deram a impressão de querer despertar uma atenção mais refinada, uma visão absorta que silencie o mais possível os ruídos internos e, como em uma sessão de meditação, permita que as imagens, sons e acontecimentos que se sucedem na tela penetrem num espectador com a mente aquietada e, portanto, receptiva, predisposta à reconstruir suas percepções e representações.
Algumas imagens, a meu ver, funcionam como autênticos koans visuais, com o propósito de desarticular a percepção linear, lógica e disjuntiva do real que predomina no nosso dia a dia de homens e mulheres ocidentais urbanos e abrir caminho a outras possibilidades de experiência do mundo. Uma delas é, em minha percepção, a da porta sem paredes que separa o quarto de dormir do resto do templo construído no meio de um lago onde o mestre budista e seu jovem discípulo, os protagonistas da narrativa, vivem. A imagem da não-porta é um exercício vivo de sensibilidade que golpeia visualmente o espectador, instigando-o a redefinir sua visão compacta, fechada e estilhaçada da realidade. Parece sussurrar-nos no ouvido: será que as paredes que erguemos entre nós e o mundo não são tão sólidas como tendemos a percebê-las?
Mais evocativa ainda é, aos meus olhos, a imagem da porta que se ergue no vazio, à beira do lago, que desde a primeira cena do filme me sacudiu levando-me a repensar os meus conceitos de “dentro” e de “fora”, assim como a minha percepção de ser humano e natureza. As paredes que compartimentam a realidade, que a estilhaçam em pedaços - parecem perguntar estas imagens - serão reais ou apenas uma das possíveis maneiras em que a mente humana percebe o mundo? Esses belos koans imagéticos sugerem outras possibilidades de experienciarmos o real.
O longa é também uma riquíssima mina de reflexões sobre a condição humana. O jovem discípulo, na primavera da sua infância, por viver desde a mais tenra idade em estreita “proximidade” com o ambiente não-urbano e não-humano que o rodeia revela uma completa familiaridade com as demais espécies vivas (peixes, sapos, serpentes...), que não tem medo de pegar nas mãos, experienciando com elas um contato epidérmico, contrariamente à moça de origem urbana que mais tarde chegará ao templo, que sente repulsão por outras espécies como transparece em uma cena em que, brincando, o rapaz coloca um grilo no ombro dela. Mas, simultaneamente, o jovem faz aflorar sentimentos típicos do humano, como o desejo de infligir sofrimento pelo puro prazer de fazê-lo, que o leva a torturar pequenos animais e mostra o “eu” se estruturando na percepção do menino que começa a perceber-se como independente daqueles seres e capaz de manipulá-los pelo seu próprio deleite, sendo incapaz, portanto, de compreender ou sentir o sofrimento deles. É preciso que o mestre - ao estilo Zen, cujos ensinamentos são transmitidos essencialmente através da vivência – faça experienciar à criança o mesmo sofrimento que ela tinha infligido a um peixe, a um sapo e a uma serpente para que a percepção dela, desestruturada por esta experiência totalmente nova e inesperada, se reconfigure em direção à empatia com as espécies que tinha torturado, permitindo-lhe sentir sua dor e sofrer pelo que fez.
A pedra que o mestre coloca nas costas do menino, reproduzindo o que ele tinha feito com outras espécies, pode ser vivida – como foi observador de forma a meu ver muito pertinente durante a discussão do Café com Cinema - como uma poderosa metáfora das pedras que todos carregamos: nossos conceitos, nossos hábitos mentais e comportamentais, nossos desejos, nossas obsessões, nossos fantasmas, nossos medos, nossas neuroses, nossas representações... tudo o que, num fluxo contínuo e incessante, (re)produz o nosso “eu” prendendo-nos a determinados estilos de vida e formas de ver o mundo, naturalizando-os a impedindo-nos enxergar ou conceber outras possibilidades.
Se em breves momentos do filme, como na fase outonal da vida do discípulo, o diretor parece reproduzir a dicotomia conceitual entre homem e natureza presente na visão de mundo urbanizada contemporânea, como por exemplo nas palavras do mestre ao tomar conhecimento dos acontecimentos da vida urbana do ex-discípulo (“Não conhecia de antemão como é o mundo dos homens?”, como se este fosse distinto do mundo “natural”), ao longo do filme inteiro emerge uma percepção não dilacerada do mundo humano e o não-humano. À afirmação do mestre ao discípulo no verão da sua adolescência, ao saber da relação sexual que manteve com a moça que foi levada pela mãe ao templo para se curar, é significativa: “Aconteceu por si mesmo, é a natureza”. O mestre parece perceber o ser humano como parte integrante de um único processo de permanente reconstrução do real, que entende como “a natureza”. O afastamento do mundo urbano não implica numa separação perceptivo-conceitual entre a natureza e o homem, como as belíssimas metáforas das portas sem paredes sugerem, funcionando como um potentíssimo operador simbólicode reorganização do pensamento.
O desejo sexual, o apego que a reprodução deste desperta e todas suas possíveis conseqüências (“A luxúria desperta o desejo de possuir e isso desperta a intenção de matar”, diz o mestre ao jovem discípulo quando decide devolver a moça curada à cidade) são, nessa perspectiva, manifestações da mesma natureza que pode produzir tanto compaixão e empatia com todos os demais seres vivos, como apego, ciúme e violência.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Sábado, 5 de novembro, segundo encontro do Café com Cinema com a exibição de Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera
No próximo sábado, 5 de novembro, acontecerá a partir das 18:30 no Auditório da PotyLivros do Praia Shopping, em Natal, o segundo encontro do projeto cultural CAFÉ COM CINEMA, idealizado e coordenado pelo pesquisador, educador e promotor cultural independente Antonino Condorelli.
A proposta do Café com Cinema é promover o encontro entre pessoas para partilhar emoções e reflexões a partir de obras-primas da Sétima Arte. Os encontros propiciam diálogos livres e abertos a todos sobre as mais diversas temáticas a partir de filmes de autor, exibidos antes de cada discussão, estimulando a troca de experiências, idéias, sensações e intuições. Todos os encontros têm entrada franca e dão direito a café expresso gratuito e ao sorteio de um livro, cortesias da PotyLivros que é co-promotora da iniciativa.
No encontro de sábado, 5 de novembro, será exibido o longa-metragem sul-coreano Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom, 2003), dirigido por Kim Ki-duk.
Com uma esplêndida fotografia e uma linguagem profundamente poética, o filme é ambientado em um tempo flutuante no coração de um lago e conta a história de um jovem que vive sob os ensinamentos de um velho monge budista. Cada estação do ano representa um estágio da existência e do aprendizado do jovem, que após a chegada de uma garota pela qual se apaixona acaba de desviando dos conselhos do mestre.
Após a exibição do filme, será aberta uma discussão livre a partir das sugestões de reflexão despertadas pela obra nos presentes.
Devido ao estrondoso sucesso do primeiro encontro do Café com Cinema, em que o auditório da PotyLivros ficou pequeno diante da quantidade de pessoas que foram assistir a sessão, a partir do segundo encontro haverá um sistema de reservas de lugar. A partir do dia 3 de novembro estarão disponíveis no balcão da PotyLivros fichas de reserva que garantirão uma cadeira no encontro de sábado, dia 5. Serão disponibilizadas 40 fichas, o número máximo de cadeiras que cabem no auditório. As reservas serão válidas somente até as 18:30 do dia do encontro. Havendo desistências ou atrasos de parte de quem reservou, as vagas serão transferidas imediatamente a quem estiver sem ficha e tiver chegado na hora.
Contamos com a participação de tod@s vocês para partilharmos juntos mais emocionantes momentos de livre pensar, arte e partilha.
Desde já, sejam bem-vind@s!
Clique aqui e assista o trailer de Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera
Mais informações e contatos: cafecomcinemanatal@gmail.com
