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quarta-feira, 16 de maio de 2012

A sessão de 26 de maio do Café com Cinema exibirá o longa cubano Morango e Chocolate, o mais votado entre os seguidores do projeto


A votação do filme que será exibido na sessão de sábado, 26 de maio, do projeto cultural Café com Cinema, que acontece a partir das 18:30 no auditório da PotyLivros (Praia Shopping), em Natal, terminou à meia- noite de domingo, 13. Os(as) interessados(as) manifestaram suas preferências entre oito opções disponíveis, todas de filmes latino-americanos ou de temáticas sociais latino-americanas, e o mais votado - com 12 indicações, 11 no Facebook e uma por e-mail - foi Morango e Chocolate (Fresa y Chocolate), de Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío (Cuba, 1994). O longa-metragem cuabo será, portanto, a obra exibida na próxima sessão do Café com Cinema.

Dos outros filmes propostos, o colombiano La Sombra del Caminante de Ciro Guerra (2004) ficou em segundo lugar, com 5 votos; o argentino Iluminados pelo Fogo (Iluminados por el Fuego), de Tristán Bauer (2005), recebeu 4 votos e o também argentino A História Oficial (La Historia Oficial), de Luís Puenzo (1985), recebeu 2 preferências. Todos os demais não receberam nenhum voto. As três obras que receberam indicações serão apresentadas em novas votações para as próximas sessões do projeto cultural.

Uma cena de Morango e Chocolate

Morango e Chocolate, ambientado em Havana em 1979, narra a história de um jovem universitário comunista, David (Vladimir Cruz), que conhece um artista gay, Diego (Jorge Perugorría), revoltado com as políticas do regime de Fidel Castro para com os homossexuais. Apesar de David tentar a todo custo evitar qualquer contato com Diego, uma série de circunstâncias acaba aproximando cada vez mais os dois, entre os quais surge aos poucos uma profunda amizade que nem suas diferentes visões de mundo, nem uns acontecimentos que levarão Diego a tomar decisões sofridas conseguirão abalar. O longa é um dos últimos filmes dirigidos por Tomás Gutiérrez Alea, o cineasta cubano de maior projeção internacional do século XX, que faleceu em 1996 e, encontrando-se doente, teve que ser auxiliado na direção por seu amigo Juan Carlos Tabío. Morango e Chocolate foi o primeiro filme cubano a ser nomeado para o Óscar.

Lhe aguardamos na sessão de sábado, 26 de maio, do Café com Cinema, onde após a exibição do filme será realizado um diálogo entre tod@s @s participantes com base nas provocações e pistas de reflexão despertadas pela obra e, no final do encontro, será realizado o sorteio de um livro. Para reservar seu lugar, totalmente gratuito, escreva para cafecomcinemanatal@gmail.com e, desde já, seja muito bem-vind@!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sábado, 28 de abril, o Café com Cinema exibe O Mundo de Apu, clássico do cinema neorealista indiano

No sábado, 28 de abril, acontece às 18:30 no Auditório da PotyLivros do Praia Shopping, em Natal, o novo encontro do projeto cultural CAFÉ COM CINEMA, idealizado e coordenado pelo pesquisador, educador e promotor cultural independente Antonino Condorelli, que é também o coordenador dos Diálogos Criativos. No encontro será exibido o longa-metragem indiano O Mundo de Apu (Apu Sansar, 1959), dirigido por Satyajit Ray. Se trata do último filme da Trilogia de Apu, considerada uma obra-prima do cinema mundial, cujas outras partes foram exibidas nas sessões de fevereiro e março do Café com Cinema.

A proposta do Café com Cinema é promover o encontro entre pessoas para partilhar emoções e reflexões a partir de obras-primas da Sétima Arte. Os encontros propiciam diálogos livres e abertos a todos sobre as mais diversas temáticas a partir de filmes de autor, exibidos antes de cada discussão, estimulando a troca de experiências, idéias, sensações e intuições. Todos os encontros têm entrada franca e dão direito a café expresso gratuito e ao sorteio de um livro, cortesias da PotyLivros que é co-promotora da iniciativa.

A partir de hoje é possível reservar o próprio lugar na sessão de sábado, 28 de abril. Há 40 vagas disponíveis, o número máximo de cadeiras que cabem no Auditório da PotyLivros. Para reservar a sua, basta enviar um e-mail para cafecomcinemanatal@gmail.com colocando no assunto Reserva Sessão 28/04 e indicando seu nome no corpo da mensagem. Cada participante poderá solicitar reserva para duas pessoas no máximo, indicando os nomes de ambas no texto do e-mail. Quem solicitar reserva receberá por e-mail um código para cada pessoa indicada, que deverá transcrever e levar no dia da sessão. Para acessar o auditório bastará informar seu nome e o código recebido. Da mesma forma, para receber o café expresso de cortesia bastará informar o código para os funcionários da cafeteria da PotyLivros. As reservas serão válidas somente até as 18:30 do dia do encontro. Havendo desistências ou atrasos de parte de quem reservou, as vagas serão transferidas imediatamente para quem estiver em fila de espera sem reserva e tiver chegado na hora.

A Trilogia de Apu, esteticamente inspirada no Neorealismo Italiano e inédita no Brasil e nas Américas até há pouco tempo, representa a estréia e também o ponto mais alto da cinematografia de Satyajit Ray, considerado o maior mestre do cinema da Índia. O Mundo de Apu, de 1959, narra de forma realista e sensível as dificuldades econômicas, os conflitos existenciais e as escolhas sofridas de um desempregado, dilacerado entre o mundo urbano e a Índia profunda.

Enquanto A Canção da Estrada (1955), a primeira obra da trilogia, se concentra na infância de Apu e O Invencível (1956) explora sua juventude, o terceiro e último longa-metragem da triologia narra as vicissitudes da vida adulta do protagonista.

Após a exibição de O Mundo de Apu, será aberta uma discussão livre a partir das sugestões de reflexão despertadas pela obra nos presentes.

Contamos com a participação de tod@s vocês para partilharmos juntos mais emocionantes momentos de livre pensar, arte e partilha.


Desde já, sejam bem-vind@s!

Mais informações e contatos: cafecomcinemanatal@gmail.com

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Programação de Abril


ENTRADA FRANCA

Quarta-feira 11 de abril
Auditório da Livraria Siciliano (Midway Mall) - 19:30
Encontro-show com Carlos Zens.
O cantor e compositor Carlos Zens apresentará sua trajetória artística, refletirá sobre seu legado para a música potiguar e interpretará ao vivo clássicos de sua autoria.


Quarta-feira 25 de abril
Auditório da Livraria Siciliano (Midway Mall) - 19:30
Primeiro encontro do ciclo
#DebatendoNatal nos Diálogos Criativos.
Natal de ontem e de hoje: problemas históricos não resolvidos e situação atual. Discussão aberta a todos para levantar propostas de solução dos problemas de Natal a serem apresentadas para todos os(as) candidatos(as) a Prefeito(a) e a vereador(a) da cidade.

ANO DO SAMBA NOS DIÁLOGOS CRIATIVOS

Quinta-feira 26 de abril
Auditório da Livraria Siciliano (Midway Mall) - 19:30
Homenagem a Dona Ivone Lara
Facilitador:
Carlos Freitas
Intérprete::
Analuh Soares
Encontro-show que intercalará a apresentação do legado de Dona Ivone Lara para a história do samba com interpretações ao vivo de clássicos da autora realizadas pela cantora potiguar Analuh Soares.




ENTRADA FRANCA

Sábado 28 de abril
Auditório da PotyLivros (Praia Shopping) - 18:30
Encontro do projeto cultural Café com Cinema, com a exibição do filme O Mundo de Apu de Satyajit Ray (Índia, 1959). Haverá café expresso de cortesia para os participantes e, no final do encontro, o sorteio de um livro.
Para reservar vaga e informações: cafecomcinemanatal@gmail.com

sábado, 24 de março de 2012

Sábado, 31 de março, o Café com Cinema exibirá às 17:30 o longa indiano "O Invencível", de Satyajit Ray

No sábado, 31 de março, acontecerá às 17:30 no Auditório da PotyLivros do Praia Shopping, em Natal, o novo encontro do projeto cultural CAFÉ COM CINEMA, idealizado e coordenado pelo pesquisador, educador e promotor cultural independente Antonino Condorelli, que é também o coordenador dos Diálogos Criativos. No encontro será exibido o longa-metragem indiano O Invencível (Aparajito, 1956), dirigido por Satyajit Ray. Se trata do segundo filme da Trilogia de Apu, considerada uma obra-prima do cinema mundial, cuja primeira parte foi exibida em fevereiro e a última será apresentada no encontro de abril do Café com Cinema.

A proposta do Café com Cinema é promover o encontro entre pessoas para partilhar emoções e reflexões a partir de obras-primas da Sétima Arte. Os encontros propiciam diálogos livres e abertos a todos sobre as mais diversas temáticas a partir de filmes de autor, exibidos antes de cada discussão, estimulando a troca de experiências, idéias, sensações e intuições. Todos os encontros têm entrada franca e dão direito a café expresso gratuito e ao sorteio de um livro, cortesias da PotyLivros que é co-promotora da iniciativa.

A partir de hoje é possível reservar o próprio lugar na sessão de sábado, 31 de março. Há 40 vagas disponíveis, o número máximo de cadeiras que cabem no Auditório da PotyLivros. Para reservar a sua, basta enviar um e-mail para cafecomcinemanatal@gmail.com colocando no assunto Reserva Sessão 31/03 e indicando seu nome no corpo da mensagem. Cada participante poderá solicitar reserva para duas pessoas no máximo, indicando os nomes de ambas no texto do e-mail. Quem solicitar reserva receberá por e-mail um código para cada pessoa indicada, que deverá transcrever e levar no dia da sessão. Para acessar o auditório bastará informar seu nome e o código recebido. Da mesma forma, para receber o café expresso de cortesia bastará informar o código para os funcionários da cafeteria da PotyLivros. As reservas serão válidas somente até as 17:30 do dia do encontro. Havendo desistências ou atrasos de parte de quem reservou, as vagas serão transferidas imediatamente para quem estiver em fila de espera sem reserva e tiver chegado na hora.

A Trilogia de Apu, esteticamente inspirada no Neorealismo Italiano e inédita no Brasil e nas Américas até há pouco tempo, representa a estréia e também o ponto mais alto da cinematografia de Satyajit Ray, considerado o maior mestre do cinema da Índia. O Invencível, de 1956, narra de forma realista e extremamente sensível os conflitos vivenciados por Apu na adolescência, o drama de abandonar a mãe e as tradições familiares para estudar e ampliar seus horizontes.

Enquanto A Canção da Estrada, o primeiro da trilogia, se concentra na infância de Apu, O Invencível explora sua juventude e o seguinte sua vida adulta. O terceiro e último longa-metragem da triologia, O Mundo de Apu (Apu Sansar, 1959), será exibido na sessão de sábado, 28 de abril.

Após a exibição de O Invencível, será aberta uma discussão livre a partir das sugestões de reflexão despertadas pela obra nos presentes. Pela adesão do Café com Cinema à Hora do Planeta 2012, que acontecerá no mesmo dia da sessão das 20:30 às 21:30 e durante a qual todas as luzes serão apagadas, o encontro de sábado 31 de março acontecerá excepcionalmente a partir das 17:30, ao invés que as 18:30 como de costume, e se encerrará antes das 20:30 evitando, assim, que o Auditório da PotyLivros tenha luzes e equipamentos ligados durante o ato simbólico mundial em respeito ao planeta.

Contamos com a participação de tod@s vocês para partilharmos juntos mais emocionantes momentos de livre pensar, arte e partilha.

Desde já, sejam bem-vind@s!

Mais informações e contatos: cafecomcinemanatal@gmail.com

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sábado, 25 de fevereiro, recomeça o Café com Cinema com a exibição de A Canção da Estrada, de Satyajit Ray

No sábado, 25 de fevereiro, vai estrear às 18:30 no Auditório da PotyLivros do Praia Shopping, em Natal, a temporada de 2012 do projeto cultural CAFÉ COM CINEMA, idealizado e coordenado pelo pesquisador, educador e promotor cultural independente Antonino Condorelli, que é também o coordenador dos Diálogos Criativos. No primeiro encontro deste ano será exibido o longa-metragem indiano A Canção da Estrada (Pather Panchali, 1955), dirigido por Satyajit Ray. Se trata do primeiro filme da Trilogia de Apu, considerada uma obra-prima do cinema mundial, cujas partes seguintes serão apresentadas nos próximos eventos do Café com Cinema.

A proposta do Café com Cinema é promover o encontro entre pessoas para partilhar emoções e reflexões a partir de obras-primas da Sétima Arte. Os encontros propiciam diálogos livres e abertos a todos sobre as mais diversas temáticas a partir de filmes de autor, exibidos antes de cada discussão, estimulando a troca de experiências, idéias, sensações e intuições. Todos os encontros têm entrada franca e dão direito a café expresso gratuito e ao sorteio de um livro, cortesias da PotyLivros que é co-promotora da iniciativa.

A partir de hoje é possível reservar o próprio lugar na sessão de sábado, 25 de fevereiro. Há 40 vagas disponíveis, o número máximo de cadeiras que cabem no Auditório da PotyLivros. Para reservar a sua, basta enviar um e-mail para cafecomcinemanatal@gmail.com colocando no assunto Reserva Sessão 25/02 e indicando seu nome no corpo da mensagem. Cada participante poderá solicitar reserva para duas pessoas no máximo, indicando os nomes de ambas no texto do e-mail. Quem solicitar reserva receberá por e-mail um código para cada pessoa indicada, que deverá transcrever e levar no dia da sessão. Para acessar o auditório bastará informar seu nome e o código recebido. Da mesma forma, para receber o café expresso de cortesia bastará informar o código para os funcionários da cafeteria da PotyLivros. As reservas serão válidas somente até as 18:30 do dia do encontro. Havendo desistências ou atrasos de parte de quem reservou, as vagas serão transferidas imediatamente para quem estiver em fila de espera sem reserva e tiver chegado na hora.

A Trilogia de Apu, esteticamente inspirada no Neorealismo Italiano e inédita no Brasil e nas Américas até há pouco tempo, representa a estréia e também o ponto mais alto da cinematografia de Satyajit Ray, considerado o maior mestre do cinema da Índia. Em A Canção da Estrada, de 1955, é narrada de forma realista a difícil vida de uma família Brahmin de Bengali, acompanhando a trajetória do pai, Haritara, sacerdote mundano, curandeiro, sonhador e poeta; da mãe, Sarbojaya, que trabalha para alimentar a família; e as aventuras dos dois filhos, a primogênita Dargu e o caçula Apu. O filme ganhou prêmios do British Academy of Film and Television Arts, do Festival de Cinema de Cannes e vários outros.

Enquanto A Canção da Estrada se concentra na infância de Apu, os filmes subseqüentes da trilogia exploram sua juventude e sua vida adulta. O segundo, O Invencível (Aparajito, 1956), será exibido no Café com Cinema no sábado, 31 de março. O terceiro, O Mundo de Apu (Apu Sansar, 1959), o será na sessão de sábado, 7 de abril.

Após a exibição de A Canção da Estrada, será aberta uma discussão livre a partir das sugestões de reflexão despertadas pela obra nos presentes.

Contamos com a participação de tod@s vocês para partilharmos juntos mais emocionantes momentos de livre pensar, arte e partilha.

Desde já, sejam bem-vind@s!

Mais informações e contatos: cafecomcinemanatal@gmail.com

sábado, 5 de novembro de 2011

Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera - Reflexões sobre o filme exibido no segundo encontro do Café com Cinema

Por Antonino Condorelli (condor_76@hotmail.com) - Idealizador e coordenador do Café com Cinema e dos Diálogos Criativos

Como prometi ao público que participou do segundo encontro do projeto cultural Café com Cinema, que idealizei e coordeno na PotyLivros em Natal, compartilho algumas reflexões – despretensiosas e desordenadas, seguindo o fluxo das minhas sensações - sobre o filme que foi exibido nessa ocasião: Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom, 2003), do diretor sul-coreano Kim Ki-duk.

A esplêndida fotografia do longa-metragem e os amplos planos panorâmicos do lago e da floresta ao seu redor em diversos momentos do ano com as respectivas transformações da paisagem, que varia com o clima, me deram a impressão de querer despertar uma atenção mais refinada, uma visão absorta que silencie o mais possível os ruídos internos e, como em uma sessão de meditação, permita que as imagens, sons e acontecimentos que se sucedem na tela penetrem num espectador com a mente aquietada e, portanto, receptiva, predisposta à reconstruir suas percepções e representações.

Algumas imagens, a meu ver, funcionam como autênticos koans visuais, com o propósito de desarticular a percepção linear, lógica e disjuntiva do real que predomina no nosso dia a dia de homens e mulheres ocidentais urbanos e abrir caminho a outras possibilidades de experiência do mundo. Uma delas é, em minha percepção, a da porta sem paredes que separa o quarto de dormir do resto do templo construído no meio de um lago onde o mestre budista e seu jovem discípulo, os protagonistas da narrativa, vivem. A imagem da não-porta é um exercício vivo de sensibilidade que golpeia visualmente o espectador, instigando-o a redefinir sua visão compacta, fechada e estilhaçada da realidade. Parece sussurrar-nos no ouvido: será que as paredes que erguemos entre nós e o mundo não são tão sólidas como tendemos a percebê-las?

Mais evocativa ainda é, aos meus olhos, a imagem da porta que se ergue no vazio, à beira do lago, que desde a primeira cena do filme me sacudiu levando-me a repensar os meus conceitos de “dentro” e de “fora”, assim como a minha percepção de ser humano e natureza. As paredes que compartimentam a realidade, que a estilhaçam em pedaços - parecem perguntar estas imagens - serão reais ou apenas uma das possíveis maneiras em que a mente humana percebe o mundo? Esses belos koans imagéticos sugerem outras possibilidades de experienciarmos o real.

O longa é também uma riquíssima mina de reflexões sobre a condição humana. O jovem discípulo, na primavera da sua infância, por viver desde a mais tenra idade em estreita “proximidade” com o ambiente não-urbano e não-humano que o rodeia revela uma completa familiaridade com as demais espécies vivas (peixes, sapos, serpentes...), que não tem medo de pegar nas mãos, experienciando com elas um contato epidérmico, contrariamente à moça de origem urbana que mais tarde chegará ao templo, que sente repulsão por outras espécies como transparece em uma cena em que, brincando, o rapaz coloca um grilo no ombro dela. Mas, simultaneamente, o jovem faz aflorar sentimentos típicos do humano, como o desejo de infligir sofrimento pelo puro prazer de fazê-lo, que o leva a torturar pequenos animais e mostra o “eu” se estruturando na percepção do menino que começa a perceber-se como independente daqueles seres e capaz de manipulá-los pelo seu próprio deleite, sendo incapaz, portanto, de compreender ou sentir o sofrimento deles. É preciso que o mestre - ao estilo Zen, cujos ensinamentos são transmitidos essencialmente através da vivência – faça experienciar à criança o mesmo sofrimento que ela tinha infligido a um peixe, a um sapo e a uma serpente para que a percepção dela, desestruturada por esta experiência totalmente nova e inesperada, se reconfigure em direção à empatia com as espécies que tinha torturado, permitindo-lhe sentir sua dor e sofrer pelo que fez.

A pedra que o mestre coloca nas costas do menino, reproduzindo o que ele tinha feito com outras espécies, pode ser vivida – como foi observador de forma a meu ver muito pertinente durante a discussão do Café com Cinema - como uma poderosa metáfora das pedras que todos carregamos: nossos conceitos, nossos hábitos mentais e comportamentais, nossos desejos, nossas obsessões, nossos fantasmas, nossos medos, nossas neuroses, nossas representações... tudo o que, num fluxo contínuo e incessante, (re)produz o nosso “eu” prendendo-nos a determinados estilos de vida e formas de ver o mundo, naturalizando-os a impedindo-nos enxergar ou conceber outras possibilidades.

Se em breves momentos do filme, como na fase outonal da vida do discípulo, o diretor parece reproduzir a dicotomia conceitual entre homem e natureza presente na visão de mundo urbanizada contemporânea, como por exemplo nas palavras do mestre ao tomar conhecimento dos acontecimentos da vida urbana do ex-discípulo (“Não conhecia de antemão como é o mundo dos homens?”, como se este fosse distinto do mundo “natural”), ao longo do filme inteiro emerge uma percepção não dilacerada do mundo humano e o não-humano. À afirmação do mestre ao discípulo no verão da sua adolescência, ao saber da relação sexual que manteve com a moça que foi levada pela mãe ao templo para se curar, é significativa: “Aconteceu por si mesmo, é a natureza”. O mestre parece perceber o ser humano como parte integrante de um único processo de permanente reconstrução do real, que entende como “a natureza”. O afastamento do mundo urbano não implica numa separação perceptivo-conceitual entre a natureza e o homem, como as belíssimas metáforas das portas sem paredes sugerem, funcionando como um potentíssimo operador simbólicode reorganização do pensamento.

O desejo sexual, o apego que a reprodução deste desperta e todas suas possíveis conseqüências (“A luxúria desperta o desejo de possuir e isso desperta a intenção de matar”, diz o mestre ao jovem discípulo quando decide devolver a moça curada à cidade) são, nessa perspectiva, manifestações da mesma natureza que pode produzir tanto compaixão e empatia com todos os demais seres vivos, como apego, ciúme e violência.

Outro aspecto sobre o qual o longa me instigou a refletir é a ciclicidade da existência humana, que o filme metaforiza através das estações do ano e, ao fazê-lo, insere-a no caráter cíclico de tudo o que existe. Não visão taoísta que impregna a percepção do real de muitos povos asiáticos miscigenando-se com os ensinamentos budistas, a existência é simultaneamente cíclica e irrepetível. A pesar de determinados processos se repetirem a cada certo período, nunca emergem com uma idêntica configuração. Todos os anos aparece a primavera, mas nunca é a mesma primavera: esta primavera é única e diferente da de todos os anos passados e de todos os vindouros. Isto é, a reprodução não é antagônica à unicidade e o cíclico não é antagônico à mudança permanente: essas categorias, que a lógica identitária opõe, são na mentalidade oriental complementares. A ciclicidade da existência metaforizada pelo filme de Kim Ki-duk me parece revelar uma percepção do homem como apenas mais um fenômeno que participa do incessante (re)surgimento, sempre diferente mesmo na repetição de padrões, da natureza.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sábado, 5 de novembro, segundo encontro do Café com Cinema com a exibição de Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera

No próximo sábado, 5 de novembro, acontecerá a partir das 18:30 no Auditório da PotyLivros do Praia Shopping, em Natal, o segundo encontro do projeto cultural CAFÉ COM CINEMA, idealizado e coordenado pelo pesquisador, educador e promotor cultural independente Antonino Condorelli.

A proposta do Café com Cinema é promover o encontro entre pessoas para partilhar emoções e reflexões a partir de obras-primas da Sétima Arte. Os encontros propiciam diálogos livres e abertos a todos sobre as mais diversas temáticas a partir de filmes de autor, exibidos antes de cada discussão, estimulando a troca de experiências, idéias, sensações e intuições. Todos os encontros têm entrada franca e dão direito a café expresso gratuito e ao sorteio de um livro, cortesias da PotyLivros que é co-promotora da iniciativa.

No encontro de sábado, 5 de novembro, será exibido o longa-metragem sul-coreano Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom, 2003), dirigido por Kim Ki-duk.

Com uma esplêndida fotografia e uma linguagem profundamente poética, o filme é ambientado em um tempo flutuante no coração de um lago e conta a história de um jovem que vive sob os ensinamentos de um velho monge budista. Cada estação do ano representa um estágio da existência e do aprendizado do jovem, que após a chegada de uma garota pela qual se apaixona acaba de desviando dos conselhos do mestre.

Após a exibição do filme, será aberta uma discussão livre a partir das sugestões de reflexão despertadas pela obra nos presentes.

Devido ao estrondoso sucesso do primeiro encontro do Café com Cinema, em que o auditório da PotyLivros ficou pequeno diante da quantidade de pessoas que foram assistir a sessão, a partir do segundo encontro haverá um sistema de reservas de lugar. A partir do dia 3 de novembro estarão disponíveis no balcão da PotyLivros fichas de reserva que garantirão uma cadeira no encontro de sábado, dia 5. Serão disponibilizadas 40 fichas, o número máximo de cadeiras que cabem no auditório. As reservas serão válidas somente até as 18:30 do dia do encontro. Havendo desistências ou atrasos de parte de quem reservou, as vagas serão transferidas imediatamente a quem estiver sem ficha e tiver chegado na hora.

Contamos com a participação de tod@s vocês para partilharmos juntos mais emocionantes momentos de livre pensar, arte e partilha.

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Clique aqui e assista o trailer de Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera

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sábado, 8 de outubro de 2011

Sábado, 15 de outubro, estréia o projeto cultural CAFÉ COM CINEMA na PotyLivros do Praia Shopping

No próximo sábado, 15 de outubro, estréia às 18:30 no Auditório da PotyLivros do Praia Shopping, em Natal, o CAFÉ COM CINEMA, novo projeto do jornalista, pesquisador, educador e promotor cultural independente Antonino Condorelli, que já coordena há mais de dois anos o conhecido Diálogos Criativos.

A proposta do Café com Cinema é promover diálogos livres e abertos a todos sobre as mais diversas temáticas – filosóficas, artísticas, científicas, sociais, políticas, ecológicas, psicológicas, educacionais, espirituais, etc. – a partir de obras cinematográficas, a maioria de difícil acesso para o público natalense, que serão exibidas antes de cada discussão.

Os encontros, com entrada franca, acontecerão entre uma e duas vezes por mês, aos sábados. Todos os participantes terão direito a um café expresso de cortesia oferecido pela PotyLivros, parceria do projeto, e no final de cada encontro será sorteado um livro entre os participantes, também cortesia da livraria.

O primeiro ciclo de encontros, em outubro e novembro deste ano, abordará a relação entre homem e natureza a partir de pistas, sugestões e estímulos para a reflexão e a discussão oferecidos por três filmes. Veja abaixo a programação:


• Sábado, 15 de outubro – 18:30

NA NATUREZA SELVAGEM (Into the Wild) – Estados Unidos, 2007

Direção: Sean Penn


• Sábado, 05 de novembro – 18:30

PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO... E PRIMAVERA (Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom) – Coréia do Sul, 2003

Direção: Kim Ki-duk


• Sábado, 26 de novembro – 18:30

DERSU UZALA – Ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (U. R. S. S.), 1975

Direção: Akira Kurosawa


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Aguardamos você no Café com Cinema: sejam bem-vind@s!


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