domingo, 19 de dezembro de 2010

Um maravilhoso 2011 a tod@s e até a próxima temporada de encontros!

Após um ano e meio de encontros, acreditamos poder afirmar sem medo de sermos desmentidos que os Diálogos Criativos se consolidaram como uma das principais referências do panorama cultural de Natal... que, felizmente, é a cada ano mais amplo e diversificado. Somos mais uma estrela em uma rica, heterogênea, provocativa constelação em constante crescimento e contínua renovação. Mas, acima de tudo, temos a consciência de estar fazendo nossa parte na promoção do diálogo e do encontro entre pessoas, idéias, experiências, inquietações, esperanças, anseios, culturas, áreas do conhecimento, formas de olhar o mundo e de transformá-lo. Este é e será sempre o horizonte de sentido da nossa existência.

Obrigado de coração a todas e todos por ter-nos acompanhado ao longo desta emocionante caminhada. Esperamos poder continuar a contar com a sua valiosíssima participação em 2011.

Desejamos a todas e todos um maravilhoso Natal e um Ano Novo de autêntica felicidade!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Fotos do encontro "Música, matemática e cultura: um diálogo possível" - Quarta-feira, 15 de dezembro

Os Diálogos Criativos encerraram a edição de 2010 com uma belíssima festa. Uma discussão polifônica, instigante, provocativa, de altíssimo nível entre três grandes músicos potiguares - Cleudo Freire, Carlos Zens e Moisés de Lima - e o brilhante matemático Iran Abreu Mendes, totalmente entremeada de música. Um diálogo que mais uma vez encheu o auditório da Livraria Siciliano estimulando o encontro entre pessoas, idéias, práticas e experiências, a partilha de bons momentos permeados de livre pensar.

Com este esplêndido encontro nos despedimos do nosso público este ano. Os Diálogos Criativos recomeçarão em março de 2011 com muitas, riquíssimas novidades e com o mesmo espírito aberto, ousado, mestiço e plural de sempre.

Desejamos a todas e todos um Feliz Natal e um maravilhoso Ano Novo!










terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Quarta-feira, 15 de dezembro, encontro-show sobre música e matemática com três grandes artistas potiguares para encerrar a temporada de 2010

Cleudo Freire (cleufreire@ig.com.br) - Músico, escritor e educador

O projeto cultural Diálogos Criativos, idealizado pelo jornalista e educador Antonino Condorelli, realizará na próxima quarta-feira, 15 de dezembro, o último encontro da atual temporada, no qual tive a honra de ser convidado. Para encerrar um ano riquíssimo, no qual foram promovidos instigantes encontros que fizeram dialogar de forma polifônica ciência, arte, memória histórica, ecologia, cinema, saúde, música, ética, psicologia, dança, política, gastronomia, viagens e outras áreas do conhecimento e da existência humana, o projeto promoverá mais um evento ousado no qual conversarei com um brilhante matemático, Iran Abreu Mendes, tentando traçar um diálogo entre música e matemática e envolvendo na discussão todo o público presente. O encontro não se limitará ao diálogo intelectual: as reflexões estarão entremeadas por apresentações ao vivo de canções minhas e de outros dois destacados músicos potiguares, Carlos Zens e Moisés de Lima, e terminará com um show de nós três. No final, além do mais, haverá um sorteio de cinco CDs do projeto Som da Mata, gentilmente disponibilizados pela administração do Parque das Dunas, e de dois livros entre os participantes.


Definir o que é música não é uma tarefa muito simples embora alguns autores já tenham ousado fazê-lo. Alguns dizem que a música é a arte do som ou dos sons; muitos supõem que seja a expressão das emoções por meio dos sons; outros consideram ser a música uma arte abstrata que exprime sentimentos pela organização do som, fazendo inclusive distinção entre som e ruído; numa tentativa mais abrangente seria a expressão da criatividade através dos sons.

Contudo as tentativas apresentadas, embora bastante contundentes, se limitam a uma generalização que reflete a transposição dos conhecimentos da física relativos à acústica, e em geral tendem a negligenciar o silêncio, elemento tão importante em qualquer obra musical. De qualquer forma, nenhuma delas apresenta a íntima relação que há entre a estrutura musical e a matemática. O que seria então a música? Que relação ela guarda com a matemática? Estas são as questões que tentarei explorar ao longo deste debate, no qual incursionarei também nas diferentes concepções nos vários períodos da história da música e algumas considerações em torno de padrões étnicos/musicais.

Melodia, harmonia e ritmo, que compõem todo o sistema de estrutura musical, são apenas elementos constitutivos e como tal servem muito bem às necessidades técnicas para tornar as peças musicais inteligíveis, executáveis, principalmente quando estas são escritas em partituras que por sua vez às tornam visíveis e se escritas em partituras braile, também poderia ser táteis.

Pensando desta forma, acredito que a partitura é uma forte demonstração da estrutura matemática por trás das obras musicais que muitas vezes passa despercebida diante da sedução exercida pelos sons. Se para fazermos uma obra musical necessitamos dividir o tempo com representações de sons e silêncios de durabilidade variável, é porque o grande princípio da música é matemático. E se esta subdivisão que caracteriza o aspecto rítmico é chamada de compasso e escrita tão matematicamente que toma de empréstimo um modelo próprio das equações - como: 2/4; 3/4; 4/4; 5/4; 6/4; 7/4 e assim por diante - é porque estamos tratando de uma arte matemática posto que o ritmo é o elemento fundamental da música.

A caracterização numérica dada às notas vai muito além de uma simples arbitrariedade inconseqüente é responsável e assumidamente valorações, algoritmos, modos de contar o tempo ocupado pelos sons de três em três; quatro em quatro; duas em duas; seis em seis unidades de modo que ao final de uma peça poderíamos até mesmo fazer cálculos de regra de três para demonstrar a relações de proporção, tão semelhante é o modo de abstração musical e matemático.

Poderíamos fazer com o silêncio, representado pelas pausas e o zero uma analogia, pois assim como o numeral as pausas representam durações definidas, que contabilizam e subdividem o tempo com valor relativo dependendo de onde sejam colocadas. Logo, para cada compasso, as pausas têm durações diferentes e o seu relativo sonoro do mesmo modo.

Nesta mesma perspectiva, argumentarei ainda acerca da relação que há entre harmonia e o conceito matemático de conjunto, subentendendo as relações harmônicas como graus de parentesco. Como não poderia deixar de ser destacarei a hibridez do elemento melódico, apontando para as características numéricas e geométricas da melodia como conseqüência das estruturas tonais e modais.

Este breve diálogo entre música e matemática, entre um músico e um matemático, poderá não trazer conclusões definitivas (de fato, este não é o objetivo), mas, sem sombra de dúvidas, trará elementos para uma boa reflexão que pode ser interessante para quando nos ocuparmos a analisar as fronteiras entre arte e ciência.

O encontro-show, intitulado Música, matemática e cultura: um diálogo possível, acontecerá quarta-feira, 15 de dezembro, às 19:00 horas no Auditório da Livraria Siciliano, no terceiro piso do Midway Mall. Todos os participantes, como de costume, receberão um expresso gourmet de cortesia oferecido pelo Café Genot, que poderá ser degustado nas mesas da cafeteria ao lado do Auditório da Siciliano.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quarta-feira, 15/12, se conclui a edição de 2010 com um encontro-show sobre música e matemática com apresentações de artistas potiguares

Quarta-feira, 15 de dezembro, acontecerá às 19:00 horas no Auditório da Livraria Siciliano, no terceiro piso do Midway Mall em Natal, o último evento da edição de 2010 dos Diálogos Criativos: o encontro-show musical Música, matemática e cultura: um diálogo possível.

O encontro, com entrada franca, será um diálogo entre o destacado músico norte-riograndese Cleudo Freire e o matemático Iran Abreu Mendes, aberto à participação de todo o público presente, onde se explorarão as interseções, as convergências e as mútuas implicações da música, o conhecimento matemático e as práticas sócio-culturais dos povos.

O diálogo estará entremeado por apresentações musicais do próprio Cleudo Freire e de outros dois grandes artistas potiguares, Carlos Zens e Moisés de Lima. Após o diálogo, os três artistas realizarão um show com mais músicas de sua autoria.

No encontro, será realizado o sorteio de cinco CDs do projeto Som da Mata – gentilmente disponibilizados pela administração do Parque das Dunas de Natal - e de dois livros. O evento terminará com um brinde entre os participantes para comemorar o fim desta temporada dos Diálogos Criativos, que recomeçarão com muitas novidades em março de 2011.

Todos os participantes do encontro receberão como cortesia um café expresso gourmet oferecido pelo Café Genot, parceiro do projeto, que poderá ser degustado nas mesas da cafeteria ao lado do Auditório da Livraria Siciliano.

Os Diálogos Criativos são uma iniciativa do jornalista, educador e promotor cultural Antonino Condorelli em parceria com a Livraria Siciliano, o Café Genot e com o apóio editorial do Solto na Cidade, da Tribuna do Norte, da TV Universitária e da Universitária FM.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Terça-feira, 14 de dezembro, estréiam os Diálogos Criativos em espanhol para pensar de forma aberta e polifônica a América Latina

Na terça-feira, 14 de dezembro, acontecerá às 19:00 horas no Miniauditório do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Av. Senador Salgado Filho, 1559, Tirol), em Natal, o encontro de estréia do projeto DIÁLOGOS CREATIVOS (Diálogos Criativos em espanhol), que se propõe a pensar de forma aberta e polifônica a América Latina, praticando a língua dos hermanos do nosso continente.

O encontro, com entrada franca, terá como título Diálogos Creativos: entretejiendo la hermandad latinoamericana e será uma discussão livre coordenada por Thiago Lucena, cientista social e pesquisador de pós-graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e Antonino Condorelli, jornalista, educador, promotor cultural independente e idealizador dos Diálogos Criativos.

Será o primeiro de uma série de encontros bilíngües - em que será possível se expressar tanto em português como em espanhol - e totalmente abertos para juntar viajantes, pesquisadores, membros de organizações sociais e ambientais, apaixonados pela língua e as culturas hispano-americanas, estudantes de espanhol, cidadãos hispano-americanos residentes no Rio Grande do Norte e qualquer pessoa interessada em pensar a América Latina de forma criativa para partilhar experiências, debater temas de interesse geral dos povos latino-americanos, cultivar a irmandade e a consciência comum latino-americanas e praticar a língua espanhola. Este primeiro encontro será uma ocasião para conhecer-se, constituir um grupo – que estará sempre aberto – e trocar experiências sobre as vivências e o modo de pensar a América Latina dos participantes.

Os Diálogos Criativos são uma iniciativa do jornalista, educador e promotor cultural Antonino Condorelli em parceria com a Livraria Siciliano, o Café Genot e com o apóio editorial do Solto na Cidade, da Tribuna do Norte, da TV Universitária e da Universitária FM.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fotos do encontro Preconceito contra o Nordeste: quem quer dividir o Brasil? - Quarta-feira, 8 de dezembro

Mais um encontro com contribuições e trocas de experiências riquíssimas, de onde surgiram desdobramentos que levarão à realização em 2011 de um ciclo de encontros sobre temáticas de enorme relevância social, política e histórica para se pensar o Brasil: o debate sobre as cotas raciais e sócio-econômicas para o acesso à educação superior, o sobre o conceito de raça e suas implicações no Brasil, várias discussões sobre o modelo de educação vigente e outros temas de importância decisiva para o presente e o futuro do país.

Para ampliar a discussão, entre na comunidade do Orkut dos Diálogos Criativos e participe ou envie-nos suas opiniões, idéias, sugestões, experiências para que possamos socializá-las através deste blog!

Hoje à noite, às 19:00, o novo encontro dos Diálogos Criativos discutirá o preconceito contra o Nordeste

Hoje à noite, às 19:00 horas, acontecerá no Auditório da Livraria Siciliano, no terceiro piso do Midway Mall em Natal, o novo encontro do projeto cultural Diálogos Criativos: Preconceito contra o Nordeste: quem quer dividir o Brasil?

O encontro, com entrada franca, será uma discussão aberta, criativa e polifônica entre todos os presentes sobre um tema de grande atualidade e de enorme relevância social e política, contando também com as valiosas contribuições da cientista social Dalcy da Silva Cruz, uma das mais brilhantes intelectuais potiguares, e de Antonino Condorelli, idelaizador e coordenador dos Diálogos Criativos.

Todos os participantes receberão um expresso gourmet de cortesia que poderá ser degustado nas mesas do Café Genot, do lado do Auditório da Livraria Siciliano.

Os Diálogos Criativos são uma iniciativa do jornalista, pesquisador, educador e promotor cultural Antonino Condorelli e contam com o apoio editorial do diário Tribuna do Norte, do guia cultural Solto na Cidade, da TV Universitária e da FM Universitária.

PARA REFLETIR ANTES DO ENCONTRO:

Clique aqui e leia a matéria de Dalcy da Silva Cruz e Antonino Condorelli publicada na edição de domingo, 05 de dezembro, do diário Tribuna do Norte.

NOVIDADE! - Os Diálogos Criativos têm agora uma comunidade do Orkut para levar adiante suas instigantes discussões

Criamos a comunidade dos Diálogos Criativos no Orkut para levar adiante as discussões, reflexões e trocas de experiências promovidas pelo projeto em Natal.

Clique aqui para acessar a comunidade e participe, contribuindo nesta emocionante construção coletiva de novos olhares sobre o mundo!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Preconceito contra o Nordeste: quem quer dividir o Brasil? - Quarta-feira, 08 de dezembro, às 19:00

Para estimular a reflexão sobre o tema que será discutido no encontro de quarta-feira, 08 de dezembro, reproduzimos a seguinte matéria publicada na edição de domingo, 05 de dezembro, do jornal Tribuna do Norte.

Os Diálogos Criativos discutirão no dia 8 o preconceito contra o Nordeste


Dalcy da Silva Cruz (dalcruz@bol.com.br) - Professora e pesquisadora de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Antonino Condorelli (dialogos_criativos@dhnet.org.br) - Coordenador dos Diálogos Criativos

Durante e depois das últimas eleições presidenciais, o preconceito contra as regiões Norte e Nordeste por parte de certos setores das sociedades do Sudeste e do Sul do Brasil, um fenômeno há muito tempo latente, emergiu com força inusitada – amplificado pelas redes sociais da Internet - e ganhou cada vez mais concretude a ameaça de uma legitimação política destas visões e atitudes. Entre 31 de outubro - dia em que se votou no segundo turno - e 4 de novembro a organização-não-governamental SaferNet Brasil (www.safernet.org.br), que atua pela proteção dos direitos humanos no ciberespaço, recebeu mais de dez mil denúncias de usuários da rede social Twitter que disseminaram manifestações racistas e incitações à violência contra nordestinos. Das denúncias recebidas, 1.037 foram levadas pela organização-não-governamental ao conhecimento do Ministério Público de São Paulo. Entre os perfis denunciados o de Mayara Petruso, estudante de direito paulista cujas mensagens carregadas de ódio pelos nordestinos, extremamente violentas, se tornaram em pouco tempo o principal símbolo da inesperada (re)emersão desta manifestação do preconceito no Brasil.

Se trata de sinais preocupantes que lembram processos históricos análogos como, por exemplo, o que ocorreu na Itália em meados dos anos 1990. Naquela época o partido político Lega Nord (Liga Norte), que pregava a separação das regiões mais industrializadas do Norte do país do Sul pobre e flagelado pelo crime organizado alegando ideais de matriz nazi-fascista quais a “superioridade da raça” e canalizando pulsões, instintos e sentimentos por muitas décadas cultivados na sociedade, mas unanimemente execrados por todas as forças políticas democráticas, ganhou legitimidade política ao ser aceito como membro de uma coalizão de centro-direita que disputou e ganhou as eleições, sendo projetado improvisamente das margens do processo democrático ao governo da nação. Após esta legitimação, o partido cresceu até o ponto de ter se convertido em pouco mais de uma década em uma das principais forças políticas italianas e, além de continuar a governar o país dentro da coalizão governamental que ainda hoje está no poder, administra algumas das suas mais importantes regiões e cidades, promovendo nestas últimas políticas gritantemente discriminatórias contra imigrantes procedentes de países pobres, políticas que apesar de marcadamente anti-constitucionais não só não indignam nem espantam a maioria da população, como recebem em vários casos uma ampla aprovação.

Existe um risco análogo no Brasil? As tendências manifestadas por representantes de algumas forças políticas, que em declarações públicas ou em ambientes virtuais acataram leituras da eleição de Dilma Rousseff a Presidenta da República que atribuem ao “atraso” de regiões como o Nordeste e aos programas sociais do Governo Lula o triunfo da candidata, esquecendo ou não considerando deliberadamente dados que apontam que ela teria ganho as eleições mesmo sem os votos dos nordestinos e que mudanças sociais profundas e substanciais acontecidas nos últimos anos, bem além do tradicional “assistencialismo”, estão na raiz da popularidade dela nestas regiões, parecem justificar o temor de que aqui também possam ganhar legitimidade política e entrar de cabeça erguida no jogo democrático visões, atitudes e sentimentos explicitamente xenófobos.

Diferentemente do que se pensa, as manifestações de preconceito anti-nordestino emersas no decorrer das últimas eleições presidenciais e imediatamente depois delas não são uma novidade. Já em 2006, como mostra uma reportagem da edição de novembro e dezembro daquele ano da revista da organização-não-governamental de promoção da cidadania Ibase, a campanha contra a reeleição de Lula foi desenvolvida da mesma forma agressiva e preconceituosa. Também naquela época uma parte da campanha de oposição estabeleceu uma cisão entre “letrados” e “analfabetos”, os primeiros necessariamente contrários a Lula devido ao seu nível de “educação” e “inteligência”. Da mesma forma em que hoje a ampla vitória de Dilma Rousseff em regiões com enormes bolsões de pobreza é atribuída ao “paternalismo”, supostamente ancorado no analfabetismo e em programas como o Bolsa Família, negando a possibilidade de um voto consciente por partes dos “pobres” nordestinos.

O Brasil não corre o risco de ser dividido: já nasceu assim. Começamos nossa história com uma gigantesca fratura racial e de classe que permanece até hoje, na prática e no imaginário social: senhores brancos proprietários de grandes extensões territoriais e detentores de um imenso poder e uma enorme massa de índios e de negros importados da África, considerados subumanos e escravizados. Desde o começo da nossa história a ética predominante é a da exclusão social, que se traduz também em exclusão – e conseqüentemente discriminação – racial.

Para discutir de forma aberta como se constituiu historicamente o preconceito anti-nordestino, como evoluiu, como se manifesta e os perigos que acarreta para o futuro do Brasil, o projeto cultural Diálogos Criativos – que tem o apoio editorial da Tribuna do Norte – organizou mais um instigante encontro intitulado Preconceito contra o Nordeste: quem quer dividir o Brasil? O encontro, aberto a todos e com entrada franca, acontecerá na próxima quarta-feira, dia 08 de dezembro, a partir das 19:00 horas no Auditório da Livraria Siciliano, no terceiro piso do Midway Mall. Todos os participantes, como de costume, terão direito a um café expresso gourmet de cortesia oferecido pelo Café Genot, parceiro do projeto.

Para mais informações, visitem o blog http://dialogoscriativosnatal.blogspot.com ou escrevam para dialogos_criativos@dhnet.org.br.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Encontro Viagens e Viajantes - As impressões de um participante

Socializamos as impressões e os registros de Freud Romão, participante do encontro dos Diálogos Criativos de terça-feira, 16 de novembro: Viagens e viajantes: categorias da alma.

Os escritos abaixo são fragmentos do nosso primeiro encontro. Transcrevi as palavras que fui anotando carregado pela emoção e os sentimentos. Talvez estas anotações poderiam ter ficado mais organizadas, porem não seriam capazes de reproduzir o instante vivido.

Conversamos sobre os campings e a experiência do andarilho como alternativas econômicas de viajar e oportunidades singulares de um contato mais próximo com a natureza, que remete o homem moderno mesmo que por um instante à sua condição inicial de caminhante eterno no planeta. O ato de armar a barraca, transportá-la e levar nosso próprio alimento em uma mochila nos coloca em uma situação semelhante à do habitante da floresta.

Propusemos formar um grupo que possa promover roteiros os mais variados, tanto do ponto de vista geográfico (locais, regionais, nacionais e internacionais), como do ponto de vista dos focos do viajar: contato com a natureza, pesquisa histórica, apreciação de belezas naturais e culturais, retiro e meditação, etc. Estas diferentes categorias por vezes podem fundir-se em um único
deslocamento.

Os viajantes muitas vezes são arautos de populações e grupos isolados, que muitas vezes não têm vez nem voz nos veículos da mídia comercial.

Sentir-se um eterno estrangeiro: é o sentimento que se apossa de quem vive a arte de viajar no mais amplo sentido.

Olhar para nós mesmos de fora, pois é em uma viajem que se vive o presente, que se experimentam os sentimentos primordiais que impeliram e impelem o ser humano em sua eterna jornada, a incerteza do povir. Em uma viagem se vive o aqui e agora. O medo paralisa a nossa vida, a viagem é um grande exercício de desapego, é um potencializador para o exercício da vida em todas as suas dimensões. Viajar é se entregar ao hoje. O arrumar a mochila com uma única certeza a de que precisamos caminhar.

Eu acrescentaria à nossa conversa nos Diálogos Criativos de terça-feira, 16 de novembro, uma questão ao mesmo tempo nacional e mundial que, a meu ver, não pode passar despercebida dos viajantes: a problemática da construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu. Não pode ser uma decisão de alguns, desde já convido a todos e todas para, através da rede e de iniciativas presenciais, iniciarmos um movimento que exija um pleito, uma consulta pública sobre a construção da usina, pois meia-dúzia de senhores não podem decidir sozinhos sobre o tremendo impacto ambiental, social e econômico desta empreitada insana. A floresta amazônica é um bem da humanidade e devemos no mínimo questionar qualquer ato que repercuta sobre este bio-patrimônio mundial.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Viagens e viajantes: categorias da alma

O encontro dos Diálogos Criativos de terça-feira, 16 de novembro, foi intenso e impregnado de emoções. Não teve muitas pessoas como nos anteriores deste mês, mas a qualidade da discussão foi extremamente alta, houve uma partilha riquíssima de reflexões sobre o viajar e de experiências de transformação do próprio olhar sobre o mundo e se constituiu o embrião de um grupo de viajantes de Natal que promoverá outras atividades e levará adiante projetos coletivos. Mais uma vez, os Diálogos Criativos incidindo na vida cultural da cidade!

sábado, 13 de novembro de 2010

Terça-feira, 16 de novembro, os Diálogos Criativos realizam um encontro especial sobre viagens e viajantes

Na próxima terça-feira, 16 de novembro, acontecerá às 19:00 horas no Auditório da Livraria Siciliano, no terceiro piso do Midway Mall, um encontro especial do projeto cultural Diálogos Criativos, com o título Viagens e viajantes: categorias da alma. O encontro, fora da programação quinzenal regular das quartas-feiras, é o primeiro de um ciclo temático que terá como fio condutor a arte de viajar.

Com entrada franca, o encontro será facilitado pelo artista plástico, documentarista e contador de histórias Maurício Camargo Panella - autor, entre outras obras, da escultura Casa Mãe-Terra no Parque das Dunas de Natal - e pelo jornalista, educador e promotor cultural Antonino Condorelli, ambos apaixonados viajantes do mundo e da alma.

Será um diálogo aberto sobre o deslocamento geográfico e cultural, o encontro com o outro, a (re)descoberta de si mesmo, a relação do ser humano com a natureza, o tempo, a identidade, a vida. Todos os participantes serão convidados a intervir livremente partilhando suas histórias, experiências e reflexões sobre o viajar.

Todos os participantes do encontro receberão como cortesia um café expresso gourmet oferecido pelo Café Genot, parceiro do projeto, que poderá ser degustado nas mesas da cafeteria ao lado do Auditório da Livraria Siciliano.

Os Diálogos Criativos são uma iniciativa do jornalista, educador e promotor cultural Antonino Condorelli em parceria com a Livraria Siciliano, o Café Genot e com o apóio editorial do Solto na Cidade, da Tribuna do Norte, da TV Universitária e da Universitária FM.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fotos do encontro "Como se fora brincadeira de roda: de mãos dadas nos passos da dança circular" - Quarta-feira, 10 de novembro

Primeiro encontro totalmente "dançado" dos Diálogos Criativos, que mais uma vez mostraram um espírito ousado, aberto e polifônico experimentando, com incrível êxito, formas inovadoras de cruzar olhares e experiências sobre o mundo, sobre a vida e sobre o ser humano.

Como se fora brincadeira de roda: de mãos dadas nos passos da dança circular - Quarta-feira, 10 de novembro, às 19:00

Antes do evento desta quarta-feira, 10 de novembro, compartilhamos com vocês umas reflexões sobre as origens e a natureza das Danças Circulares dos Povos.

De mãos dadas nos passos da dança circular

Soraya Delúzia (sorayadeluzia@hotmail.com) - Arte-terapeuta e coordenadora da roda de danças circulares Gira Mundo (Natal, Rio Grande do Norte)
Antonino Condorelli (dialogos_criativos@dhnet.org.br) - Coordenador dos Diálogos Criativos

Dançar é uma celebração à vida. É descobrir ou redescobrir possibilidades de novos encontros, uma expressão de sentimentos e desejos individuais e coletivos. A humanidade sempre dançou e sempre dançará os momentos solenes de sua existência. A dança é um ritual, uma oração feita com o corpo. E ao dançar junto com seu povo, em comum unidade, o indivíduo desperta sentimentos e constrói relações. Dançar é, assim, uma forma de alimentar um sentimento de continuidade histórica e emotiva... ou tão somente uma relação de enorme prazer e entrega. Como afirma Bernhard Wosien, bailarino e coreógrafo alemão-polonês, na dança o ser humano exprime a totalidade das suas sensações. Assim, a dança não é mais do que vida vivida da forma mais intensa.

As danças circulares, danças de roda ou danças sagradas têm raízes nas danças folclóricas e tradicionais dos povos. São concebidas para serem dançadas em círculo, aberto ou fechado, de mãos dadas ou soltas, com passos e ritmos que expressam a cultura, a história, as tradições, a espiritualidade e o sentir coletivo de um povo. A dança circular, assim, é exercício da memória e emoção de representar a própria história.

A origem das danças de roda se confunde com a da própria humanidade. O homem antigo dançava em círculo para seus deuses, numa prática diária e espontânea, um ato de celebração de todas as passagens e ciclos de sua existência. O homem moderno perdeu esta prática, apesar de vários movimentos estarem buscando um seu resgate, como o das Danças Circulares dos Povos.


No dançar em roda nos posicionamos em um círculo, símbolo arquetípico - isto é, inscrito no inconsciente coletivo de todos os povos - de igualdade, perfeição, unidade, totalidade, representação do princípio da criação. No círculo estamos todos eqüidistantes do ponto central, o lugar de convergência de todas as direções, o coração da roda. Nos olhamos num mesmo nível, vivenciamos na pele o acolhimento do olhar.

De mãos dadas, evoluímos com movimentos no sentido horário e anti-horário. Nossa mão direita com a palma voltada para cima recebe e a mão esquerda com a palma virada para baixo: é o incessante movimento de dar e receber, desenvolvendo atitudes de cooperação e integração, acolhendo a todos os que desejem entrar na roda. Sentimo-nos apoiados uns nos outros com estas atitudes. Ainda no círculo percebemos nossos limites, a necessidade de ocupar e/ou ceder um lugar no espaço. Sentimo-nos respeitados em nossas diferenças.


As danças circulares dos povos são simples e fáceis de aprender, não necessitando de nenhuma experiência anterior, pois a intenção maior é participar, vivenciar. Os passos, geralmente uma seqüência rítmica e cadenciada, as músicas étnicas, clássicas, populares, tradicionais, o contato com uma linguagem simbólica possibilitam momentos de plenitude, onde não se pensando em nada se faz uma meditação em movimento. Ampliamos nossa consciência de sermos parte de uma totalidade. Então, o ato de dançar desenvolve um processo que estimula as funções do pensamento, do sentimento, da intuição, da percepção, da sensação fazendo emergir a criatividade na revelação da condição humana, com acertos, erros e tentativas. Dançar é, portanto, um aprendizado: é reconhecer que todo final pode ser um novo começo. O círculo não tem começo e não tem fim, mas tem no seu movimento possibilidades de novos questionamentos, outras respostas, novas criações. Dançar é buscar o novo, é estar atento, é aprender com as nossas experiências.

Dançando nos tornamos seres mais sensíveis, flexíveis e conscientes das nossas atitudes. Seres sem medo de expressar suas emoções no encontro com pessoas e com a natureza. Seres que reconhecem o valor central do trabalho coletivo, da cooperação, a integração e o equilíbrio. Seres que se lançam por inteiro na construção de novo conhecimento respeitando as tradições, que constroem novos saberes e aprendem ao longo de sua vida a preservar, renovar e reescrever a história de seu povo. Seres que reconhecem a beleza do cotidiano e valorizam as coisas simples da vida, que têm fé no ser humano, que ampliam a capacidade de amar no seu dia a dia. Participantes plenos da grande dança do universo, a grande dança da vida, a grande dança do planeta Terra. Seres dançantes...

Em Natal, a roda de danças circulares Gira Mundo possibilita tais vivências de forma totalmente gratuita com rodas livres que acontecem a cada quinze dias, às quartas-feiras, na lanchonete O Sandwich (Rua Professor Olavo Montenegro, 2967, Capim Macio).

É com o desejo de fazer vivenciar a um amplo público a experiência das danças circulares dos povos que o projeto cultural Diálogos Criativos promoverá na próxima quarta-feira, dia 10 de novembro, um encontro intitulado Como se fora brincadeira de roda: de mãos dadas nos passos da dança circular. Na ocasião, após uma breve introdução sobre a natureza das danças circulares e seu papel na história dos povos, a arte-terapeuta convidada propiciará aos participantes a possibilidade de viverem a experiência de uma roda de dança e trocarem depois suas sensações, insights e idéias a respeito.

O encontro acontecerá às 19:00 horas no Auditório da Livraria Siciliano, no terceiro piso do Midway Mall, com entrada franca.

domingo, 7 de novembro de 2010

Quarta-feira, 10 de novembro, os Diálogos Criativos realizam um encontro vivencial de danças circulares dos povos


Na próxima quarta-feira, 10 de novembro, acontecerá às 19:00 horas no Auditório da Livraria Siciliano, no terceiro piso do Midway Mall, o novo encontro do projeto cultural Diálogos Criativos, com o título Como se fora brincadeira de roda: de mãos dadas nos passos da dança circular. Em sintonia com o espírito aberto e ousado dos Diálogos Criativos, que nunca tiveram medo de experimentar novas linguagens, se tratará de um encontro essencialmente vivencial onde o público será convidado a experienciar, em círculo e de mãos dadas, danças tradicionais dos mais diversos povos.

O encontro, com entrada franca, será conduzido pela arte-terapeuta Soraya Delúzia Ferraz Lima Bahia, coordenadora da roda de danças circulares “Gira Mundo” de Natal, que se reúne a cada quinze dias, às quartas-feiras, no espaço da lanchonete O Sandwich (Rua Professor Olavo Montenegro, 2967, Capim Macio). A coordenação do evento será do idealizador dos Diálogos Criativos, o jornalista e educador Antonino Condorelli.

As danças circulares têm raízes nas danças folclóricas e tradicionais dos povos. São concebidas para serem dançadas em círculo, aberto ou fechado, de mãos dadas ou soltas, com passos e ritmos que expressam a cultura, a história, as tradições, a espiritualidade e o sentir coletivo de um povo. Sua origem se confunde com a da própria humanidade. São um ritual, uma oração feita com o corpo, um processo que estimula as funções do pensamento, do sentimento, da intuição, da percepção, da sensação fazendo emergir a criatividade e revelando a condição humana com seus acertos, erros e tentativas. Com o desejo de fazer vivenciar a um amplo público a experiência das danças circulares dos povos, no encontro de quarta-feira, 10 de novembro, a arte-terapeuta convidada propiciará aos participantes a possibilidade de viverem a experiência de uma roda de dança e trocarem depois suas sensações, insights e idéias a respeito.

Todos os participantes do encontro receberão como cortesia um café expresso gourmet oferecido pelo Café Genot, parceiro do projeto, que poderá ser degustado nas mesas da cafeteria ao lado do Auditório da Livraria Siciliano.

Os Diálogos Criativos são uma iniciativa do jornalista, educador e promotor cultural Antonino Condorelli em parceria com a Livraria Siciliano, o Café Genot e com o apóio editorial do Solto na Cidade, da Tribuna do Norte, da TV Universitária e da Universitária FM.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Fotos do encontro "The Beatles e a ética do amor" - Quarta-feira, 03 de Novembro

Encontro facilitado por Flávio dos Anjos - grande apaixonado dos Beatles, músico amador, professor de Direito da Faculdade de Natal (FAL) e pesquisador do Grupo de Estudos da Complexidade (GRECOM/UFRN) - que mais uma vez este ano lotou o auditório da Livraria Siciliano promovendo uma discussão de altíssima qualidade. A partir das canções e das atitudes pessoais e de grupo dos "quatro de Liverpool", o facilitador apontou a presença na vida e na obra da banda de uma ética da solidariedade, do perdão, da religação entre ser humano e natureza, do desprendimento, da resistência pacífica às injustiças, do amor ao próximo e à vida. Um encontro que teve como trilha sonora músicas imortais do grupo, seja exibidas em vídeos como interpretadas pelo próprio Flávio dos Anjos com o apóio do músico natalense Cleudo Freire e de outras pessoas presentes no evento. Mais uma vez, os Diálogos Criativos promoveram uma discussão que deixou uma marca na vida cultural de Natal.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

The Beatles e a ética do amor - Quarta-feira, 03 de novembro, às 19:00 horas

Retransmitimos a matéria publicada na edição de terça-feira, 02 de novembro, do jornal Tribuna do Norte para estimular a reflexão e a discussão sobre a temática que será abordada no encontro dos Diálogos Criativos de terça-feira, 03 de novembro.

Os Beatles e a ética do amor

Antonino Condorelli
(dialogos_criativos@dhnet.org.br) - Coordenador dos Diálogos Criativos
Flávio dos Anjos (ffaanjos@gmail.com) - Professor de Direito na FAL e doutorando em Ciências Sociais na UFRN

Liverpool, Reino Unido, 06 de julho de 1957. John Winston Lennon, jovem músico rebelde apaixonado por Elvis Presley e o rock and roll, é apresentado por um amigo comum a James Paul McCartney, que partilha das mesmas paixões. Paul ensina John a afinar o violão e passam a compor e tocar juntos. Pouco depois um amigo de Paul, George Harrison, com apenas quatorze anos junta-se ao grupo. Em 1962, este encontra seu baterista definitivo, Richard Starkey, mais conhecido como Ringo Starr. Depois de atuar com vários nomes provisórios, um amigo de John convence os membros da banda a fazer um trocadilho entre beetle (besouro) e beat (batida ou compasso ritmado), manifestando assim a clara influência que o movimento beatnik exercia sobre os quatro garotos. Nasce, assim, The Beatles: a banda que através da cultura de massa do século XX influenciaria mais do que qualquer outra as mentalidades, os costumes, os valores, os modos de conceber as relações afetivas, sociais e políticas de uma inteira geração, introduzindo uma nova forma de pensar o mundo.

Graças ao poder de penetração da indústria cultural de massa - que naquela época, tanto quanto hoje, favorece enormemente as produções musicais, cinematográficas, etc. de língua inglesa procedentes dos países considerados centros nevrálgicos do capitalismo global, como Estados Unidos e Grã Bretanha – a música dos Beatles faz rir, chorar, pensar milhões de jovens no mundo inteiro, influencia gêneros musicais, instiga novos estilos de vida, contribui a forjar uma verdadeira cultura juvenil internacional que em poucos anos, sob a influência de uma determinada conjuntura histórica e incorporando elementos de outras origens, se torna um dos motores propulsores das contraculturas que sacodem o mundo no final dos anos Sessenta, redefinindo a política, a sociedade e o quotidiano de grande parte da humanidade.

Com certeza qualquer um entre os que estão lendo estas linhas, mesmo se não possuir álbuns dos Beatles, conhece a letra ou saberia pelo menos assobiar a melodia de algumas das canções mais célebres da banda. Mas se as músicas dos Beatles continuam a emocionar ainda hoje, em um contexto cultural, social e político internacional completamente diferente do dos anos Sessenta e Setenta, é porque sua obra é algo mais do que um mero símbolo geracional. Algo que, talvez, seja capaz de tocar os corações e as mentes de pessoas não só de todos os países, mas de todas as épocas. A música como instrumento de comunicação de massa ultrapassa a condição de simples transmissora de mensagens. Sua ação mais profunda penetra nas entranhas, mexe com as emoções, alimenta sentimentos, permite a transcendência e configura-se como instrumento de transformação do humano. A ética impregnada na música perpassa culturas, quebra barreiras ideológicas, religiosas e sociais e chega a uma compreensão profunda gerando uma sintonia entre as pessoas.

Na arte musical dos Beatles foram veiculadas mensagens políticas transformadoras em uma época em que o mundo buscava um direcionamento ético frente às inúmeras guerras declaradas e à silenciosa e rastejante Guerra Fria. Mas estas mensagens vão muito além daquele contexto histórico específico, pois a ética nelas expressa está enraizada no mais universal dos sentimentos: o amor. Examinando com atenção as letras das músicas do grupo e a feitura das canções emerge de forma nítida, avassaladora, profundamente envolvente uma mensagem de amor: amor à vida, ao ser humano, ao outro, à natureza.

É a partir desta idéia que será desenvolvida mais uma instigante discussão no âmbito do projeto cultural Diálogos Criativos, apoiado pela TRIBUNA DO NORTE, em um encontro intitulado: The Beatles e a ética do amor. Na ocasião se tentará traçar umas linhas imaginárias que perpassam as posturas do grupo de garotos conhecido no mundo inteiro, que até o dia de hoje são percebidos como mensageiros de tolerância, compreensão, paz, amor e resistência a modelos de vida e a valores impostos.

O fio condutor da discussão será a convicção de que os Beatles operaram um renascimento musical que permitiu às massas a discussão e a reflexão acerca do mundo e uma nova postura do humano: resistente, mas tolerante. Paralelamente, será apresentada a trajetória da banda: suas origens, a caminhada rápida ao sucesso, a busca espiritual orientadora da sua conduta e o seu fim. Tudo, como não poderia deixar de ser em um evento como este, regado a amplas doses de música e vídeos com o grupo.

O encontro acontecerá quarta-feira, 03 de novembro, às 19 horas no Auditório da Livraria Siciliano, no terceiro piso do Midway Mall, com entrada franca. Para mais informações, visitem o blog http://dialogoscriativosnatal.blogspot.com ou escrevam para dialogos_criativos@dhnet.org.br.

Quarta-feira, 03 de novembro, os Diálogos Criativos discutem os Beatles e a ética do amor

Na quarta-feira, 03 de novembro, acontecerá às 19:00 horas no Auditório da Livraria Siciliano, no terceiro piso do shopping Midway Mall, o novo encontro do projeto cultural Diálogos Criativos, intitulado The Beatles e a ética do amor.

O encontro, com entrada franca, será facilitado por Francisco Flávio de Oliveira dos Anjos, grande apaixonado dos “quatro de Liverpool”, e regado a amplas doses de música e vídeos do grupo. Flávio dos Anjos é professor do Curso de Direito da Faculdade de Natal (FAL), doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pesquisador do Grupo de Estudos da Complexidade (GRECOM/UFRN) A coordenação do evento será do idealizador dos Diálogos Criativos, o jornalista e educador Antonino Condorelli.


Tomando como referência o conjunto da obra musical e as posturas da banda mais famosa da história, que modificou as mentalidades através da cultura de massa do século XX, o encontro pretende discutir de forma aberta e criativa a possibilidade de uma ética pela via do amor, envolvendo o público na discussão e na partilha de momentos de boa música.

Todos os participantes do encontro receberão como cortesia um café expresso gourmet oferecido pelo Café Genot, parceiro do projeto, que poderá ser degustado nas mesas da cafeteria ao lado do Auditório da Livraria Siciliano.

Os Diálogos Criativos são uma iniciativa do jornalista, educador e promotor cultural Antonino Condorelli em parceria com a Livraria Siciliano, o Café Genot e com o apóio editorial do Solto na Cidade, da Tribuna do Norte, da TV Universitária e da Universitária FM.